Chita é um
tecido de
algodão com
estampas de
cores fortes, geralmente
florais, e
tramas simples. As estamparia é feita sobre o tecido conhecido como
morim. Uma estampa característica de chita sobre outro suporte que não seja morim não é chita.
As características principais são: cores primárias e secundárias em massas chapadas que cobrem totalmente a trama, tons vivos, grafite delineando os desenhos, e a predominância de uma cor. As cores intensas servem, não só para embelezar o tecido, mas também para disfarçar suas irregularidades, como eventuais aberturas e imperfeições.
O nome
chita vem do sânscrito chintz
[1] e surgiu na Índia medieval e conquistou europeus, antes de se popularizar no Brasil.
Chintz
Chintz era originariamente um tecido estampado produzido na Índia de 1600 a 1800 e bastante popular como roupa de cama e para patchwork. Por volta de 1600, mercadores portugueses e holandeses levaram a chintz para a Europa. Esses tecidos eram ainda extremamente caros e raros. Por volta de 1680 mais de 1 milhão de peças de chintz eram importadas para a Inglaterra por ano, e uma quantidade similar seguia para a França e Holanda.
Com a chintz importada se tornando popular entre os europeus no fin do século XVII, havia preocupação por parte das tecelagens francesas e inglesas, uma vez que não produziam chintz. Em 1686 conseguiram que a França proibisse a importação deste tecido. In 1720 o parlamento inglês proibiu não só a sua importação bem como o seu uso.
Os produtores europeus fizeram várias tentativas de imitação dos padrões de chintz, sendo um dos resultados mais conhecidos a estampa francesa
toile de Jouy :
História da chita no Brasil
A chita veio para o Brasil com os europeus a partir de 1800. O tecido originário da Índia passou por várias melhorias até chegar ao que temos hoje. Após um longo processo burocrático, cultural e financeiro, a chita passou a ser produzida também no Brasil. A produção do tecido no país o barateou, e muito, tornando populares as peças confeccionadas com o material, transformando-o, assim, em um dos ícones da identidade nacional.
[2] Atualmente é mais usado em festas populares, como a festa junina, mas vem sendo valorizado também na decoração, principalmente como referência estética. De tempos em tempos, ganha espaço em passarelas, galerias de arte, vitrines e palcos, quando estilistas, artistas plásticos, designers e outros criadores redescobrem estas estampas e as incorporam a suas produções.
O século das chitas
Nas três primeiras décadas do
século XX, a
indústria brasileira viveu uma fase intensa de desenvolvimento. A construção da malha
ferroviária e de
usinas hidrelétricas facilitava o crescimento, da mesma forma que a chegada de inovações técnicas, como o
motor de combustão interna e o
motor elétrico. Na área
têxtil, os estados de
São Paulo,
Rio de Janeiro e
Minas Gerais passaram a concentrar a maior parte das indústrias, assim como o poder econômico que sua produção
agropecuária lhes conferia.
Era a época da “
política do café-com-leite”: os
cafeicultores paulistas e produtores de
laticínios mineiros tinham influência tão forte na política nas décadas de 10 e 20 que se alternavam no comando da nação, com um dos estados indicando o
presidente a cada quatro anos.